Muitas vezes a vida é responsável por nos pregar algumas peças para que, de fato, cresçamos. Porém, muitas dessas peças que são pregadas acabam tornando-se verdadeiros presentes: você cresce, amadurece, mas, infelizmente, não entende o motivo do depósito de tal. É aquele momento que uma pessoa adentra em sua vida sem um motivo aparente e acaba te cativando de mansinho, conquistando aos poucos um pedaço do teu coração sem que você perceba: quando se dá por conta, o nome já está tatuado em um dos átrios e os ventrículos mostram-se habitados – praticamente uma ocupação do MST. O mais engraçado é que, muitas vezes, não há motivo aparente para o surgimento de tal pessoa em sua vida, porém, ela permanece dentro da mesma de uma forma tão singular que você deseja que seja uma permanência eterna.
Definitivamente, o modo que o destino (se é que podemos chamá-lo assim) prepara a entrada de uma pessoa especial é a parte mais divertida da história – é quando dois caminhos que pareciam divergir-se nas estradas da vida começam a percorrer lado a lado, tendendo a mesclar-se. Pode ser por uma janela de MSN mal organizada, por uma brincadeira idiota, por um jogo, por uma revista Playboy, um momento corriqueiro, um gesto inusitado, enfim… Diversas são as maneiras, porém, todas convergem em um único ponto: o encontro. O encontro de duas almas opostas que acabam completando-se: essa é a diferença entre a amizade e o coleguismo. Enquanto no coleguismo a relação dá-se na ligação entre as afinidades, na amizade a relação dá-se por uma ligação muito mais forte entre as divergências.
Então você se depara com uma pilha de peças de lego: diferentes cores, diferentes tamanhos. E você aprende que cada dia com a pessoa especialmente especial representa o encaixe de uma peça. Com o passar do tempo, a construção é perceptível: cada vez mais forte… Mais perceptível. E as formas, ah! Podem ser as mais variadas, as mais engraçadas, as mais coloridas, porém, todas – apesar dos apesares – acabam por receber o mesmo adjetivo: são as mais belas e verdadeiras.
Dentre o misto de sensações que tal sentimento é capaz de proporcionar, os paradoxos exibem-se em incógnitas indecifráveis: como é possível que alguém, ao mesmo tempo em que lhe faz chorar de rir com comentários, deveras, engraçados, tenha a capacidade de arrancar-lhe lágrimas de preocupação? Como é possível alguém ao qual você nunca encarou os olhos face a face ter o poder de acalmar seu coração eufórico? São perguntas que nem o mais sábio dos sábios saberia responder, porque sentimentos assim não se explicam: apenas se sentem.

Demorou tanto para que nossos rumos se cruzassem… E agora que chegou, por favor, não saia. Aconteça o que acontecer, não solte minha mão. O caminho é mais bonito com você ao meu lado, minha criança. O momento é mais alegre, as melodias são mais suaves. Por favor, permaneça. Comigo. Pra sempre.

Vida: cada um tem a sua, logo, cada um deve cuidar da sua. Depois de muito tentar adequar-se ao que os outros julgam coerente é que você percebe que passou tempo demais sendo incoerente. Escolha! Há grandes probabilidades do seu caminho ser premiado, assim como há probabilidades dele não ser. Como descobrir qual caminho seguir? Arrisque. A vida seria incrivelmente tediosa se seguisse a favor da correnteza. Não pense que as coisas são provenientes do destino porque, de fato, elas não são. O destino nada mais é do que um livro em branco ao qual você escreve a sua própria história. Então chega, né? Foda-se a opinião dos outros, não deixe que elas interfiram. Viva você a sua própria vida: se não der certo, você tem tempo para reatar, concertar e seguir em frente. E se der certo… Bom, felicidades!


Olha, não fique assim não, vai passar. Eu sei que dói, é horrível. Eu sei que parece que você não vai aguentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. Dor é assim mesmo: arde, depois passa. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. A gente acha que não vai aguentar, mas aguenta as dores da vida. Pense assim: agora está insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou, agora já são dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que há duas linhas atrás. Você acha que não porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia: ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e quando vai ver o barco já está lá longe. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traquéia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo - é difícil de acreditar, eu sei - vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou. Agora não dá mesmo para ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente deve ser feliz sempre? Isso é bobagem. Como cantou Vinícius: “É melhor viver do que ser feliz”. Porque para viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado para trás, cai. Dói, eu sei como dói. Mas passa. Está vendo a felicidade ali na frente? Não, você não está vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la para trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.


Os olhos possuiam diante de sí a visão do paraíso enquanto os dedos finos e ligeiramente compridos tocavam-lhe a pele macia e bem cuidada. Logo, a boca aproximava-se, sedenta: também queriam participar da brincadeira. Os lábios cor de sangue roçavam pela face aveludada, deslizando sem pressa até a altura da orelha, seguindo pela curva do pescoço. As narinas captavam o melhor perfume já sentido: o cheiro dele. Os lábios continuavam a seguir o curso do prazer, um prazer próprio, um prazer comum. Do pescoço, descia pela clavícula. Os dedos voltavam ao jogo de toques e carícias, desempenhando o papel de alisar-lhe os ombros, cautelosos. Era uma escultura, uma verdadeira obra prima exibindo-se. Tê-lo alí, consigo, era de um valor inestimável. Os lábios persistiam, queriam explorá-lo ainda mais: assim, deslizavam pelo centro da caixa torácica, sem pressa. A língua teimosa lutava para escapar: queria sentir-lhe o gosto, o que não tardou a acontecer. Na altura do abdomem, pincelava-se úmida e quente. Os incisivos passaram a sentir-lhe a textura após algumas leves, porém firmes, mordidas depositadas na região. Desejá-lo. Sentí-lo. Tê-lo. Não haviam palavras para expressar tamanho frenesi que aquela mistura de sensações proporcionavam-na. Ali, ele era seu - e apenas seu.

I’m here without you baby, but you’re still with me in my dreams ♪ Não demorou para que a música do despertador lhe penetrassem os ouvidos, fazendo com que os olhos se abrissem e se deparassem com a realidade: o outro lado da cama de casal estava ocupado apenas por uma porção de travesseiros, cúmplices de diversas aventuras vivenciadas pelos dois. O celular estava certo. Ela estava alí, sozinha. Porém, ele encontrava-se presente em sues pensamentos… Desde o dia em que se conheceram. A mão que antes tocava a pele macia de seu muso durante o mais belo dos sonhos apalpava o criado-mudo a procura do celular que cantarolava, executando o papel que fora programado a fazer: mostrar o início de mais um dia. Todavia, os dedos tatearam um instrumento gélido, impertinente à execução da tarefa designada: um porta retratos sobre o criado mudo, o pequeno baú que guardava um dos momentos do casal. O olhar fixo na lembrança, os pensamentos eufóricos e radiantes: apesar dos apesares, apesar de qualquer eventualidade que os separassem, a música que o celular executava estaria certa. Ele estaria lá. Sempre. Com ela. Em seus pensamentos - um lugar de onde ninguém poderia tirá-lo. Os lábios, antes frios, esboçaram um sorriso e entreabriram-se. Os músculos da boca moldavam-se em um biquinho superficial a medida que o sussurro era proferido: Win.


Glass Mask é uma expressão ao qual me identifico muito. Máscara de vidro. Transparente, mas existente. Não é aquela máscara que você está acostumado a ver: antes fossem as projetadas pelo Slipknot, ou máscaras venezianas. É aquela máscara presente, mas que você não vê. É aquela ilusão gostosa à qual você passa a vida inteira acreditando, é a beleza que você não questiona. Mas é de vidro. E o vidro, bom… Pode quebrar. Por isso, não espere muito daqui, uma vez que você verá o mundo do modo que eu quiser que veja: e são muitos, isso eu posso garantir. O estoque de máscaras está praticamente lotado, mas não subestime: posso criar mais uma para te surpreender. Prepare os cigarros, os cantis de whisky e mãos a obra. Seja bem vindo.